Este trabalho se propõe a demonstrar que o fenômeno pentecostal brasileiro, mormente o neopentecostalismo e sua “Teologia da Prosperidade”, representa a vocalização de um ethos privatista cultivado silenciosamente durante décadas de desamparo político e legal por parte do conjunto mais amplo e vulnerável da sociedade brasileira, que absorveu o impacto da modernização conservadora do país – baseada na organização autocrática de uma ordem social competitiva – subordinando seus costumes e valores à concretização do ideal – pouco republicano – de mobilidade social nos termos da lógica predatória do mercado.